quinta-feira, 2 de outubro de 1997

Eleiçons 1997

Intentarei em poucas palavras explicar o porque considero que umha pessoa independentista teria que votar o próximo dia 19, BNG. Algumhas das razons que vou expôr, som parciais, outras mais fundamentais, porém suplico a quem lea esta aportaçom faga umha valoraçom global das mesmas porque só deste jeito podem ser entendidas.

O BNG nom é um proxecto independentista, mas é um proxecto do País, para tentar sobre-viver como naçom dentro do Estado. Nom é um proxecto revolucionário, entendido como impulsor dum modelo novo de sociedade, mas é um proxecto que se encadra dentro do campo progressista e valedor do calificativo de "esquerda reformista".

Há possibilidade certa, co esforzo dos sectores progressistas da sociedade, incluido o independentista, de que o BNG poida acceder ao Governo da Xunta em coaliçom co partido espanhol PSOE. O BNG careceria de todos os jeitos, do poder real que posibilitara um cámbio de forzas dentro do Estado. É certo que seria um Governo moi encorsetado para o nacionalismo, mas provocaria umha nova dinámica de debate social dentro da Galiza e um incremento na conciència nacional. O que seria já positivo, sem mais voltas, é derrotar democráticamente, se a este jogo entre desiguais se lhe pode chamar democrático, a Fraga, debilitando, como se dum efecto dominó se trata-se, à força política com maior presència e maior poder dentro do País, o PP, que nom vai dubidar em utilizar toda a sua rede e poder caciquil para fazer durar o menos posível o hipotético governo.

O BNG tem a estratégia de governar "custe o que custe", é dizer, amarrados pola falta de poder real, entre o PSOE, o caciquismo, o governo de Madrid e umha sociedade galega que precisa, mas nom demanda, cámbios radicais. Pode passar como aconteceu em Malpica quando se perdeu o governo municipal. Outro lastre é o contar cumha militáncia moi acomodada a métodos de luita e reivindicativos, que nom implicam muito compromisso, entre ela a aristocrácia sindical. Pode-se repetir a situaçom de desmoralizaçom de quando se expulsou aos parlamentários por nom ter jurado a Constituiçom. Mas essa é a estratégia do BNG, a sua aposta, refrendada hoje por um sector importante da sociedade. Mas que passa co Independentismo?

A FPG aparece como a única alternativa independentista que se pode votar nestas eleiçons. Mas é umha organizaçom lastrada por ser um dos anacos visíveis do que resta do que foi o proxecto político que se artelhou ao redor do EGPGC. A maiores esta forza política mais dumha vez traspasou a linea que separa solidariedade e mimetismo, em relaçom à luita independentista de Euskadi. Muitas das pessoas que componhem as suas candidaturas, som gente luitadora, que sofre repressom polo seu compromisso político e sindical, mas nom é suficiente. Nom chega com ser pessoas honradas e coerentes. Isto, com ser imprescindível, é claramente insuficiente se nom se conta cum proxecto político independentista que resposte à pergunta fundamental de que tipo de sociedade queremos construir para o século XXI. É por isso que valoro inútil o esforço da FPG apresentando-se a estas eleiçons. Baixo o meu ponto de vista, os esforços deberiam ir dirigidos a artelhar umha alternativa independentista de síntese. Umha alternativa que recolhesse o capital político e humano que se criou na década dos 80 ao redor dos principios de Independência, Anti-Patriarcado, Reintegracionismo lingüistico e cultural, Anti-militarismo e Socialismo Ecológico. Umha alternativa que figera possível o encontro generacional entre o independentismo que se criou ao redor da ideia, hoje superada de "Partido Único"; o que se entregou a um enfrentamento directo co Estado cum claro compromisso co País, mas hoje claramente derrotado, e umha mocidade independentista que às portas do novo século, parece abandoada à sua sorte, em quanto aos envites repressivos do Estado se refire, e quedar assim grupusculizada e de costas à realidade social.

01-10-1997
Lupe Ces

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